Definição

Trata-se de uma doença que afeta maioritariamente cães de média idade a geriátricos. Classicamente é um processo oncológico que afeta raças grandes a gigantes, nomeadamente São Bernardo, Dogue Alemão, Setter Irlandês, Doberman, Pastor Alemão e Golden Retriever. A prevalência entre machos e fêmeas é sensivelmente a mesma, com um ligeiro aumento de incidência nos machos. Os cães castrados parecem ter uma maior prevalência comparativamente aos intactos.

Neste tumor existem células que produzem uma matriz osteoide, extracelular. 75% dos OSA ocorrem no esqueleto apendicular (sentido dos membros) e os restantes no esqueleto axial (sentido da coluna), podendo ocorrer em qualquer tecido ósseo. Os membros anteriores/torácicos são mais afetados que os posteriores/pélvicos. As extremidades distais do rádio e proximal do úmero são as localizações mais comuns e a região do cotovelo a mais incomum.

A classificação histológica ajuda a perceber o comportamento que o tumor poderá vir a ter, nomeadamente em termos de metástases. O tecido muscular envolvente pode apresentar-se tumefacto e podem surgir fraturas. Existe uma elevada frequência de metástases após amputação, principalmente no pulmão, mas pode acontecer em outros locais.

Sintomas

É característico o surgimento duma tumefação no local de afeção com claudicação. Pode ser confundido com osteoartrite e artrose. A dor deve-se a microfraturas induzidas pela osteólise do osso cortical com extensão ao canal medular. Pode haver uma resposta considerável ao repouso e aos anti-inflamatórios, mas existe recorrência.

Os sinais respiratórios como consequência das metástases são raros.

Diagnóstico

Em geral, a aproximação diagnóstica feita a um cão com suspeita de osteossarcoma passa pelo exame físico, radiografia e biópsia.

O hemograma, a radiografia torácica, a ecografia abdominal e a análise de urina ajudam-nos a perceber o estado do animal.

Na radiografia avalia-se o local primário afetado através de projeções laterais ou craniocaudais do esqueleto apendicular e esqueleto axial. Isto permite-nos detetar a presença de osteólise, tumefação dos tecidos e formação de novo osso, assim como permite descartar/incluir outros diagnósticos diferenciais.

A citologia sugere a presença de um OSA que, embora não forneça um diagnóstico definitivo, em associação com os outros meios de diagnóstico, pode auxiliar na tomada de decisão relativamente ao tratamento.

Quando a radiografia é sugestiva de osteossarcoma e se pretende um diagnóstico definitivo, a biópsia permite confirmar a suspeita. A biópsia pode ser realizada antes ou após o tratamento cirúrgico (amputação).

A biópsia incisional pode por vezes ser consecutivamente inconclusiva sendo que a citologia eco guiada tem vindo a ganhar preponderância em relação à biópsia.

O estadiamento da doença baseia-se essencialmente na evidência da disseminação da doença, uma vez que a presença de metástases detetáveis é o melhor indicador de prognóstico. Os linfonodos devem ser palpados e pode ser realizada uma citologia a qualquer gânglio aumentado.

Aumentos significativos da Fosfatase Alcalina, uma análise sanguínea, constitui um mau fator de prognostico.

A tomografia computorizada ou a ressonância magnética podem também ajudar a definir margens de ressecção cirúrgica ou avaliar o tumor quando o local primário é axial.

Tratamento

As opções cirúrgicas diferem consoante a região anatómica do tumor primário. A amputação do membro afetado é o tratamento standard para o OSA apendicular.

Os cães, mesmo de raça grande e gigante conseguem adaptar-se bem após a amputação e a maioria dos donos ficam surpreendidos pela positiva com a mobilidade e qualidade de vida pós amputação.

A preexistência de doença articular degenerativa na maioria dos cães mais velhos de raça grande é, normalmente, uma contraindicação para a amputação.

A amputação não aumenta a sobrevida do animal, mas aumenta significativamente a qualidade de vida através da diminuição da dor.

Por razões cosméticas, a amputação parcial pode ser uma opção, nomeadamente em cães muito grandes ou obesos ou naqueles que apresentem outros processos ortopédicos e/ou neurológicos em simultâneo.

Tratamento adjuvante

A quimioterapia aumenta significativamente a sobrevida dos cães afetados. Os protocolos mais usados são a carboplatina e a doxorrubicina administradas a cada 3 semanas.

Mais recentemente, um fármaco novo aprovado para o tratamento de mastocitomas - toceranib- mostrou ser eficaz em alguns cães com doença metastática e constitui uma opção válida nestes casos.

O Pamidronato pode também ser útil no controlo da dor e na melhoria da qualidade de vida de alguns animais.

Prognóstico

Após a cirurgia e o tratamento paliativo, o acompanhamento que inclui exame físico e radiografia torácica para pesquisa e acompanhamento de metástases deve ser efetuado a cada três meses. O prognóstico piora quando o grau do tumor aumenta. Os tumores com localização umeral apresentam pior prognostico. A terapia adjuvante pós-cirúrgica melhora o prognostico.

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