Camaleões, iguanas, lagartos… são animais magníficos, mas também animais de estimação exigentes. É importante conhecer as necessidades dos répteis antes de os trazer para casa, bem como as possíveis patologias que podem apresentar, como a doença óssea metabólica.
Esta doença é frequentemente diagnosticada em répteis e também é conhecida como osteodistrofia, osteomalácia, hiperparatiroidismo secundário nutricional ou osteoporose.
O que pode causar a doença óssea metabólica em répteis? #
As principais causas que contribuem para o aparecimento desta patologia são:
Fatores nutricionais
Os problemas nutricionais em répteis são bastante comuns. Neste caso, um défice de cálcio ou vitamina D3, bem como uma dieta com um desequilíbrio na relação cálcio/fósforo, pode contribuir para o desenvolvimento desta doença.
Nos répteis carnívoros, como os crocodilianos ou alguns lagartos, esta carência alimentar pode ocorrer quando consomem carne ou peixe sem esqueleto, sendo insuficiente fornecê-los apenas como suplemento alimentar.
Os répteis insetívoros podem também ser alimentados com crias de roedores ou peixe para compensar o aporte insuficiente de cálcio e fósforo fornecido pelos insetos. Além disso, devem ser utilizados suplementos específicos.
Já a dieta dos répteis herbívoros contém frequentemente excesso de fósforo e carência de cálcio. Por isso, é importante cuidar da alimentação, oferecendo uma variedade equilibrada de frutas e vegetais e complementando-a com suplementos multivitamínicos adequados.
Cuidados inadequados
Os répteis são animais delicados e requerem cuidados específicos. Uma iluminação incorreta, tanto na qualidade como na quantidade de radiação, ou uma utilização inadequada desta, pode provocar o desenvolvimento da doença óssea metabólica em répteis. A exposição direta (não através de vidro) à lâmpada de luz UV é essencial para a ativação da vitamina D3, responsável pela síntese de cálcio.
Também é importante manter a humidade adequada para cada espécie, garantir uma boa ventilação e preparar corretamente o terrário.
Outras causas
Existem também algumas causas menos frequentes que devem ser consideradas, como alterações hepáticas, renais ou intestinais, problemas na tiroide ou nas paratiroides, formação de ovos, parasitoses, neoplasias, hipervitaminose A, traumatismos ou alterações no metabolismo da vitamina D, entre outras.
Sintomas da doença óssea metabólica em répteis #
Esta doença pode manifestar-se através de diferentes síndromes clínicos, sintomas ou consequências, tais como:
- hiperparatiroidismo primário (neoplasia) e secundário (nutricional)
- osteoporose
- osteomalácia
- raquitismo
- osteodistrofia fibrosa
-
hipocalcemia
A doença óssea metabólica afeta todos os répteis? #
De modo geral, esta doença é mais frequente em animais de crescimento rápido e em anfíbios. Os adultos são mais resistentes, pois o osso funciona como reserva de cálcio. Os vertebrados têm uma necessidade contínua de cálcio e, quando este falta na dieta, o organismo recorre às reservas ósseas. No entanto, como a homeostase do cálcio é difícil de manter, esta situação pode tornar-se fatal para o animal.
Lagartos
Nos lagartos, especialmente nas iguanas, a doença pode manifestar-se de duas formas:
A forma mais comum, observada em animais jovens, é a clássica, em que a maioria dos sintomas está relacionada com o sistema ósseo, como osteodistrofia fibrosa, fraturas, apatia, anorexia, alterações na coluna vertebral, amolecimento da mandíbula e inflamação das extremidades (sobretudo das posteriores).
A outra forma, mais frequente em adultos, inclui sintomas associados à hipocalcemia, como paresia e tremores musculares.
Camaleões
Os camaleões também podem sofrer de doença óssea metabólica. Nestes animais, as manifestações mais frequentes são osteodistrofia e raquitismo.
Tartarugas
Nas tartarugas e cágados, os sintomas mais comuns incluem anorexia, deslocação com o casco arrastado no chão, amolecimento do casco e crescimento excessivo das unhas e do bico, com consequente deformação.
Como se diagnostica? #
O diagnóstico baseia-se em:
- História clínica, alimentação e condições de manutenção no terrário
- Sintomas clínicos
- Estudo radiológico para avaliar o grau de calcificação e deformação dos ossos
- Análises sanguíneas (níveis plasmáticos de cálcio e fósforo) e exames coprológicos, embora nem sempre sejam necessários para o diagnóstico
Prognóstico da doença óssea metabólica em répteis #
Esta é uma doença que pode levar meses a desenvolver-se e também meses a ser tratada. Por isso, é necessária uma colaboração muito próxima entre o cuidador e o médico veterinário.
O prognóstico dependerá da rapidez com que o tratamento adequado é iniciado, do estado geral do animal e da gravidade do caso.
Nas situações mais graves, sobretudo em exemplares jovens, o réptil pode morrer ou ficar com sequelas permanentes. No entanto, em casos mais favoráveis, é possível alcançar uma recuperação completa e um desenvolvimento saudável.