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Porque ladram os cães?

Que um cão ladre é completamente normal. O ladrar faz parte do seu sistema de comunicação e pode expressar muitas coisas: alerta, emoção, medo, frustração ou simplesmente vontade de interagir.

O problema aparece quando os ladres são muito frequentes, intensos ou difíceis de controlar ou se produzem em momentos determinados, especialmente se geram conflitos em casa ou com os vizinhos. Nestes casos, convém consultar um veterinário especialista em medicina do comportamento (um etólogo clínico), já que o ladrar excessivo pode ter várias causas.

Porque ladram os cães? #

O significado do ladrar depende sempre do contexto, da situação e do estado emocional do cão. Algumas das razões mais habituais são:

Defesa do território (ladrar de alarme)

Muitos cães ladram quando detetam a presença de pessoas, animais ou barulhos perto de casa. É uma conduta de alerta que pretende avisar e aumentar a distância com o estímulo que percebem como intruso, afugentá-lo.

Reação a barulhos ou estímulos inesperados

Sons como o toque da campainha, o elevador ou passos no patamar podem provocar ladrares. Em alguns cães pode ser pelo motivo anteriormente explicado (defesa do território ou da família), mas noutros trata-se simplesmente de uma resposta de sobressalto. Em ocasiões também pode indicar uma maior sensibilidade ao barulho, e em alguns casos, medo dos mesmos, e ser uma forma de autodefesa (ladra para parar ou afastar esse barulho).

Excitação ou ativação (emoção positiva, agradável)

O ladrar também aparece em situações positivas: quando chegas a casa, na saudação, durante o jogo ou quando antecipam algo de que gostam (a comida, sair a passear, etc.).

Frustração

O ladrar pode ser uma forma de expressar esta emoção negativa que surge quando um desejo intenso (brincar, sair, alcançar algo) ou as expetativas de que algo se produza não se cumprem. Neste contexto, o cão pode ladrar como uma forma de expressão emocional.

Procura de atenção

Alguns cães aprendem que ladrar faz com que as pessoas lhes prestem atenção, lhes deem comida ou iniciem o jogo. Com o tempo, o ladrar pode converter-se numa estratégia para conseguir coisas.

Falta de atividade ou estimulação

Os cães necessitam de exercício físico, interação social e estimulação mental. Quando estas necessidades não estão cobertas, alguns animais desenvolvem condutas repetitivas como ladrar durante longos períodos ou podem ladrar para tentar recuperar a presença da figura de apego.

Problemas relacionados com a separação

Quando o cão fica sozinho em casa pode experimentar ansiedade de separação ou frustração, o que se manifesta com ladrares persistentes, uivos, destruição de objetos ou tentativas de escapar. Este tipo de problema requer avaliação e tratamento profissional, já que afeta o bem-estar do animal e a convivência.

O meu cão ladra a outros cães #

Ladrar a outros cães não significa necessariamente agressividade. Pode dever-se a diferentes motivos:

  • Excitação ou vontade de brincar

  • Medo ou insegurança

  • Frustração por não se poder aproximar

  • Conduta aprendida em experiências prévias

A forma como se gerem estes encontros é chave. Expor o cão a demasiados estímulos ou a uns poucos que não pode controlar ou forçar interações pode aumentar o stress. Em muitos casos resulta mais útil trabalhar de forma progressiva, aumentando a distância com outros cães ao princípio e reforçando a calma antes de se aproximar gradualmente.

Como reduzir os ladrares excessivos #

Quando o ladrar se converte num problema, o mais importante é entender por que ocorre. Algumas pautas gerais que podem ajudar são:

Identificar os desencadeadores

Observar em que situações ladra o cão (pessoas que passam, barulhos, ficar sozinho, ver outros cães…) permite antecipar-se e trabalhar sobre essas situações.

Aumentar a atividade física e mental

Os passeios de qualidade, os jogos de olfato ou os brinquedos interativos ajudam a reduzir o tédio e a frustração.

Evitar reforçar o ladrar Sem querer, às vezes reforçamos esta conduta, quando a sua motivação é precisamente essa, conseguir estes objetivos. Por exemplo:

  • Dar comida quando ladra

  • Prestar atenção imediata

  • Abrir a porta justo quando está a ladrar

Esperar que o cão esteja tranquilo antes de interagir ajuda a reforçar a calma em lugar do ladrar.

Trabalhar com reforço positivo

As técnicas baseadas em recompensa são as mais eficazes e seguras para modificar a conduta. Consistem em premiar os momentos de calma ou silêncio, para que o cão aprenda que comportamento se espera dele.

Ajudaria usar uma coleira antiladridos? #

As coleiras desenhadas para deter o ladrar mediante descargas elétricas, vibração ou libertação de substâncias desagradáveis não são uma solução recomendável. Estes dispositivos atuam aplicando um estímulo aversivo quando o cão ladra, mas não abordam a causa real do comportamento, que frequentemente está relacionada com medo, ansiedade, frustração ou falta de aprendizagem. Além disso, podem gerar efeitos secundários indesejáveis, como aumento do stresse, medo do ambiente ou associação negativa com pessoas ou outros estímulos presentes nesse momento. Em alguns casos inclusive podem piorar o problema ou provocar novas condutas de ansiedade ou agressividade. Por isso, em medicina do comportamento recomenda-se priorizar estratégias baseadas na identificação da causa do ladrar e em técnicas de modificação de conduta com reforço positivo, que resultam mais eficazes e seguras para o bem-estar do animal.

Quando consultar um profissional? #

Se os ladrares forem muito frequentes, aparecerem de forma repentina ou se acompanharem de outras alterações de comportamento, é recomendável consultar o veterinário. Em alguns casos, os problemas de conduta podem estar relacionados com dor, doenças ou alterações neurológicas, especialmente em animais mais velhos. Por isso, a avaliação veterinária é um passo essencial antes de iniciar qualquer tratamento comportamental.

E se o meu cão for mais velho e começar a ladrar mais? #

Em cães de idade avançada, as alterações de comportamento podem estar relacionadas com a síndrome de disfunção cognitiva (uma degeneração cerebral associada ao envelhecimento). Estes cães podem mostrar:

  • desorientação

  • alterações no sono

  • vocalizações noturnas

  • perda de hábitos aprendidos, como os hábitos higiénicos ou a obediência

Se notar estes sinais, convém falar sobre isso com o seu veterinário, já que existem tratamentos e medidas de maneio que podem melhorar a sua qualidade de vida.

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